sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Outro dia...

Taí uma expressão bastante funcional, mas que é usada em demasia, e demasiadamente errada. Já repararam no uso que as pessoas dão a essa expressão? Não? Hão-de reparar. Se analisarmos com bom senso, a expressão em si, qual é a ideia que transmite? "Bem, aqui há uns dias, aconteceu X ou Y." Boa, porreiro. O problema, existe quando as pessoas utilizam a expressão "outro dia...", para se referir a acontecimentos ocorridos há meses, há anos (!!) e/ou (a que mais me irrita), ontem. Não pode ser! A expressão encerra em si, uma noção de distância. Nem tão próxima (ao ponto de não poder ser ontem), nem tão distante (dois meses atrás? c'mon!). Sou a favor da criação de uma regra para o uso do "outro dia...". Aliás, proponho já aqui, que "outro dia..." seja aplicável apenas num intervalo de tempo compreendido entre "anteontem" e "há um mês e meio". Qualquer posicionamento temporal fora desta linha, deveria ser considerada como errada e absurda.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Moody Bits.

Qual foi a última vez que choraste? Não pareces nada bem.

Não, não mudes de assunto. Qual foi a última vez que choraste?

Estas a sorrir, eu sei. Mas isso não significa que não estejas triste.

Hum? Como assim?

Ah! Mas quem me diz o teu humor, não são as tuas palavras. São os teus olhos.

Chora, pequena.

Anda, eu sei que é difícil, mas chora pequena.

Não digas asneira, não é não chorar que te faz mais forte. Chora, pequena.

Isso... Chora, Pequena.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entretanto...

- Cara, ela fez isso?
- Fez...
- CARA, ERA UM SINAL!
- SÉÉÉÉÉÉÉRIO? E EU NÃO SABIA...
- ENTÃO POR QUE NÃO FOSTE?!
- A certeza só existe para quem está a ver de fora.
- Mas se tinhas dúvida, por que não tentaste?
- Faltam-me as bolas.


dedicado à todas que queriam, me pediram, mas eu não dei.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

calado.

Pergunto-me: Perdi a voz? Há tanto tempo que já não escrevo, que não me sinto realmente compelido a escrever. Parei de pensar? É facto que não. Ou assim eu o interpreto. E a vontade de escrever? Para onde partiu? A verdade, é que o meu âmago berra, e eu não oiço. Ou pelo menos, evito ouvir. Uma vez mais, apelo para um texto sobre o não conseguir escrever. Passado um tempo, costuma libertar-me. Vamos ver se desta também se sucede o mesmo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Frases que só fazem sentido em latim [2]:

Maçãs podem ser fatais.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Frases que só fazem sentido em latim [1]:

Apenas o bom senso pode discernir entre o belo, e a guerra.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Palavras de abertura da Classica nº 23, por Victor Jabouille

Apesar de não ser meu, devo dizer que identifico-me bastante com este grito.

“Apesar da violência natural e humana e das grandes perturbações que preenchem este final do século XX d.C, as "coisas" clássicas parecem prosseguir, e bem, o seu percurso no nosso país. Novas revistas, novos cursos de Licenciatura e de Mestrado, profusão de Congressos e Colóquios nacionais e internacionais, sobrevivência dos antigos cursos e das velhas revistas (algumas remodeladas) - mesmo que, como no caso da Classica, tenham sido obrigadas a quebrar a periodicidade da sua edição -, inúmeras publicações, defesa de muitas dissertações de Doutoramento e de Mestrado, reconhecimento internacional… Tudo parece indiciar um clima de abundância e de fortalecimento.

É evidente que as referências feitas são consequência directa do trabalho de alguns que, principalmente no meio universitário, se agitam e persistem em pugnar na defesa de uma cultura fundamentadora em que acreditam e que consideram indispensável. De facto, e olhando com realismo o outro lado do panorama nacional, o Grego está moribundo, confinando-se o seu ensino a algumas – muito poucas – Escolas Secundárias e Universidades. Quanto ao Latim – mal-amado por muitos, principalmente pelos detentores de um saber tão moderno e tão especializado que confia com o limes de uma ignorância cabotina -, assistimos à diminuição crescente do número de alunos inscritos no Ensino Secundário e à fragilização da sua docência no Ensino Superior.

O Grego e o Latim – termos genéricos que englobam as línguas mas também as respectivas culturas – são, talvez, desnecessários neste nosso tempo. Já falámos disso e os novos dados apenas acentuam os anteriormente adquiridos. Não deixa, contudo, de ser cada vez mais evidente o vazio cultural que é deixado com o abandono do cultivo das litterae humaniores. Não deixa de ser curioso verificar como a “sociedade global” é cada vez menos culta e, em consequência, menos criativa e qualitativamente menos produtiva. A fundamentação cultura é uma mais-valia em qualquer época; ignorá-lo é um risco demasiado grande e de consequências negativas irrecuperáveis. Compreender o mundo moderno é, necessariamente, conhecer e integrar o passado, os actos e os artefactos tradicionais.

Repare-se no modo confrangedor como a língua portuguesa é tratada pela incompetência dos utentes responsáveis, consequência da ignorância das línguas e valores clássicos. Uma experiência comprova-o: a televisão, fenómeno de comunicação e divulgação de massas não recente, adquiriu, em Portugal, uma dimensão maior. A concorrência entre os vários canais para a conquista de audiência e o aparecimento da televisão por cabo assumem-se como cúmplices no crime cultural. Pseudo-tradutores – maioritariamente habilitados com diplomas do ensino superior – enchem as legendas de dislates, disparates e outras barbaridades, fruto do desconhecimento das línguas originais e da incompetência em Português. E, principalmente, de uma imensa fragilidade cultural, que não permite sequer que tomem consciência das asneiras que escrevem.

O diagnóstico da situação está feito há muito; mas piorou. A situação é hoje mais grave porque as reformas pragmáticas em todos os graus de ensino pretendem ignorar a Cultura Clássica, desprezando o ensino das línguas e desconhecendo o da cultura. Em nome de curricula actualizados, impedem-se aos alunos de se matricularem em Grego; em defesa de uma pedagogia de ponta, suprime-se o Latim. É a geração McDonald’s da cultura: os carnívoros que nunca comeram um bom bife, acham que o mundo da carne se extingue no cheeseburguer... por vezes feito com minhocas.

A situação hoje é mais grave também porque é defendida em nome de uma política oficial de ensino e de perspectivas, comerciais, de afirmação do ensino superior. Há Universidades que pugnam pela supressão do Latim porque… se calhar, são muito novas, demasiado novas para saberem o que é o verdadeiro sentido do saber universitário (ou foram afectadas pela proximidade da praia…); o Ensino Superior Politécnico – embora copie os modelos curriculares humanísticos das Universidades -, não tem lugar para a Cultura Clássica por ser poli-técniko… Quanto aos Ensinos Básico e Secundário, continuam, embora o neguem, em fase experimental de definição e procura, definitivamente afastados dos valores fundamentares e dos saberes essenciais, embalados na descoberta da mais recente novidade importada, por vezes velha de séculos. As excepções confirmam a tendência generalizada.

Não somos, de modo algum, contra a inovação, a invenção, a definição de novos quadros epistemológicos ou a introdução de matérias diferentes, actuais e práticas. Somos, também, a favor do não aniquilamento daquilo que é culturalmente formador e indispensável para todos, seja qual for o grau de especialização tecnológica. Defendemos, mais, que as duas perspectivas são conciliáveis e, mesmo, compatíveis. Não é novidade, não é original. A Classica procura ser, há mais de vinte anos, uma forma de confirmação.

O balanço pessimista dos Estudos Clássicos não é apenas nacional. De facto, um pouco por todo o lado, assistimos, de forma mais ou menos acentuada, ao enfraquecimento do interesse pelas “coisas clássicas”. Os modernos planos curriculares não têm espaço para o Grego nem para o Latim, o homem moderno deixou de estar disponível para as coisas profundas, o stress do quotidiano e o exaspero acelerado da vida moderna impedem a abertura de espaços de fruição e enriquecimento culturais. Mas surgem, também, indícios de sinal contrário.

A problemática da actualidade do Latim volta a ser equacionada em livro acabado de publicar – Le Latin ou l’Empire d’un signe. XVI-XX siècle de Françoise Waquet (Paris, Albin Michel, 1999) -, actualizando de forma pertinente o discurso acerca do seu interesse. O competente dicionário Gaffiot conheceu uma reedição em 1999. No seu número 235 (Setembro de 1999), a revista L’HISTOIRE dedica a Tribuna da última página (grande destaque) a um artigo de Bernard Sergent com o sugestivo título “Sauvons le Grec”. O Presidente da Sociedade Francesa de Mitologia, depois de analisar o lugar do Grego no sistema escolar francês e de realçar a sua importância para a língua e para as ciências, aponta duas medidas de solução para ultrapassar esta fase crítica, uma delas “progressista”: “… visto que os cursos ditos ‘europeus’ se multiplicam em França [e em Portugal, diríamos], é necessário impor o Grego como matéria obrigatória. Pela simples razão de que a cultura grega é a única que foi comum à Europa Ocidental e à Europa Oriental.” O Grego é, em suma, a herança cultural que partilhamos com toda a Europa. Fica, é claro, uma última pergunta: terão os classicistas alguma culpa na concretização do estado negativo? Os classicistas, creio que não; grande parte das pessoas que andam pelas clássicas, sim. A prova positiva está nos exemplos com que iniciámos estas breves palavras de abertura; a negativa, cada um terá a sua…”

Victor Jabouille