quarta-feira, 16 de junho de 2010

Deambulações. [1]

É impressionante como a criatividade não tem sítio nem hora para aparecer. Neste momento, encontro-me no comboio, com um bocado de papel que achei na carteira (vivera a função de lista de compras hoje mais cedo), com uma caneta que desviei, na semana passada (da sala da tuna), que havia deixado na mala do Aikido, e encontro-me também, cheio de vontade de escrever, sem pensar em nada, nem ninguém, em concreto (neste momento [ou melhor, há bocado, quando escrevi o que já havia pensado, e pensava em novas coisas para escrever], penso em duas ou três pessoas).

Tenho o papel à mão, a mão e a coxa, esquerdas, fazem de suporte.

Oiço Coltrane(ou melhor, ouvia. Estou com Geirinhas no repeat agora) e espero que o comboio arranque. Foda-se! O pensado é algo tão rápido! Tão rápido, que há havia arrancado o comboio, e eu ainda nem havia escrito que estava a espera.

Passo a folha para a perna direita.

Ouvi-la a cantar, inspira-me. Faz-me querer gravar mais declamações. Talvez amanhã grave mais um ou dois Campos.

Esta gravação tem um ruído de fundo constante, que apesar de chato é muito charmoso.

Nossa, estou a ficar sem papel. Daqui a pouco escrevo em lenços.

Agora parei de escrever. Sobra-me tão pouco espaço na folha, que acho que quero que ele dure para sempre. Mas qual o sentido em preservar o papel para poder escrever, se nunca vir a escrever algo lá? Esperar pelo momento perfeito? E eu saberei distingui-lo quando chegar? E se o momento perfeito for este? Estou a escrever porque me apetece, e não por julgar ser o momento perfeito. Se for, tanto melhor. Se não o for, azar. Soube bem à mesma.


sexta-feira, 4 de junho de 2010

NE.

Não duvido que saiba amar.
Tenho é a certeza que não sabe o que é não ser amado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quoting.

"[...] 'parece que a sua mãe exprimiu várias vezes, aos amigos, o desejo de ter um enterro religioso. Tomei à minha conta este encargo. Mas queria pô-lo a par'. Agradeci-lhe. Embora sem ser ateia, enquanto viva a mãe nunca pensara na religião"


O Estrangeiro - A. Camus.

sábado, 29 de maio de 2010

LL.

Há pessoas cujos sorrisos fazem-nos mover montanhas, só para poder vivenciá-los.

O mais interessante, é que às vezes ainda sentimos que guardámos o troco.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Por que?

Só porque sim.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Agir.

Sento-me sozinho (num daqueles assentos retrateis) no comboio.
Concentrado na minha música, noto qualquer coisa, baixo os fones, só para ouvir uma voz à minha frente:

- Olá, meu nome é Rui. Mas os amigos chamam-me R.

[fico a olhar com ar de estranheza para o homem.]

- Tu, como te chamas?

- E-eu?

[ele acena positivamente com a cabeça.]

- Rodrigo.

- Rodrigo...

[olho outra vez com ar de estranheza para o homem,
de modo que ele responde-me a esticar os olhos.]

- Ah. Rod pros amigos.

- Rod? Gosto desse nome.

- Obrigado...

- Rod, fazes-me um favor?

- Se eu conseguir...

- Sorri.

- Desculpa?

- Sorri!

- Por que?

- Só porque sim.

o Comboio chega a Oeiras, e com ar de apressado, diz-me adeus e sai a correr, sem nem me dar tempo de resposta.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Lookin' at the others, to better understand ourselves.

Já alguma vez pararam num sítio minimamente movimentado, para observar as pessoas que passam? Tirar os fones, e observar como elas andam, o que falam, como falam... Agora olha à tua volta...

Olha à tua volta e procura. Procura, que hás-de encontrar. Mesmo no mais feio dos lugares, hás-de encontrar algo para olhar... algo, que te faça sorrir.

Agora olha de novo para as pessoas a passar. Repara como eles correm, tão atrasados para as suas vidas (ou quiçá para as suas mortes). Por que será que eles não reparam naquilo que tu reparas? Mal sabem eles o que perdem...

Patéticos, não são? Pois...


Agora... diz-me lá que não és um deles.